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Qualidade e inovação: fatores indispensáveis à sobrevivência

Revista Banas Qualidade - 13/9/2010 - Edição de Aniversário: 20 anos

[Mauricio Ferraz de Paiva]

Na sociedade de hoje, em geral, os clientes estão mais bem informados. São muitas as fontes de informação para satisfazerem às suas curiosidades e realizarem comparações. Atualmente, se uma empresa não fornecer suporte eficaz ao cliente ou não cumprir os padrões mínimos de qualidade, dificilmente poderá sobreviver no mercado.

Porém, os acionistas, para realizarem seus lucros, querem que as organizações, nas quais eles investem, vão além da sobrevivência, crescendo em um mercado cada vez mais competitivo. Para isso, os objetivos das organizações não devem ser limitados aos métodos de excelência no atendimento ao cliente, mas sim buscar dispositivos para alcançar um encantamento do cliente, buscando construir um relacionamento e compromisso para além da qualidade da venda, pós-venda e suporte.

Vivemos em uma sociedade em constante mudança, o que pressupõe que o perfil do cliente é algo que evolui em suas necessidades e costumes, portanto, variar o que recebem ou percebem também é fundamental. É justamente nesse contexto que se encaixa o processo de Inovar.

No atual ambiente competitivo, as empresas são obrigadas a desenvolver os recursos humanos, sistemas de informação e capacidades tecnológicas em consonância com os novos desafios. Daí a importância do processo de inovação.

Como isso envolve a pesquisa, renovação e ampliação dos processos, produtos e serviços, mudanças na organização, gestão de competências e mudanças no capital humano, a inovação não pode ser entendida como uma técnica pura, pois tem raízes em uma investigação, um desenvolvimento econômico, político e social bem mais profundo. A inovação visa explorar as oportunidades oferecidas pelas mudanças. Uma cultura inovadora permite que as empresas sejam capazes de se adaptar a novas situações e exigências do mercado em que concorrem.

A inovação é baseada na complexidade da investigação tecnológica e da natureza imprevisível das perturbações que movem o mercado e a concorrência em si. A abordagem inovadora é uma forma de ação capaz de desenvolver valores e atitudes que promovem ideias e mudanças que envolvem a melhoria da qualidade e eficiência das empresas, mesmo que isso signifique uma ruptura com a tradição.

O mundo dos negócios foi invadido, recentemente, pela “loucura” da inovação, os livros sobre gestão da inovação florescem nas bibliotecas e centenas de artigos aparecem em revistas de gestão. Por que escrever tanto sobre a inovação? Simples: Foi a “inovação” que se tornou a “nova fronteira” da gestão empresarial.

A inovação, de forma esquemática, pede reflexão sobre os seguintes fatos:
a) Reforma e ampliação da gama de produtos e serviços;
b) Reforma e ampliação dos processos de produção;
c) Mudanças na organização e gestão;
d) Mudanças nas habilidades dos profissionais.

Outros pontos que merecem reflexão são:
e) A inovação não deve se restringir à criação de novos produtos: uma inovação também pode se referir a um novo serviço ou a uma nova forma de vender ou distribuir um produto;
f) A inovação não está restrita à evolução tecnológica: uma inovação pode também ser obtida através de diferentes estruturas organizacionais ou em uma combinação de tecnologia e marketing;
g) A inovação não se limita a ideias revolucionárias: uma série de pequenas inovações “incrementais” é tão desejável quanto uma mudança de grande potencial (breakthrough) que acontece a cada dez anos.Pelo que vimos, a inovação é um dos elementos chave que explicam a competitividade. A competitividade de uma nação depende, sobremaneira, da capacidade de sua indústria para inovar e melhorar. Ou seja, as empresas ganham vantagens competitivas através da inovação.

A atividade inovadora está, também, diretamente relacionada com o capital humano, um dos principais fatores que determinam a vantagem competitiva das economias industriais avançadas. Outro ponto importante é que o processo de inovar não acaba com o sucesso da introdução de um novo produto no mercado. A  estreita ligação entre o conceito atual de competitividade e inovação é clara: dizer que novos produtos devem ser repensados constantemente é o mesmo que dizer que temos que ser competitivos.

Um ponto interessante é observar que a maioria das empresas que estão comprometidas com a inovação são aquelas que não se concentram desesperadamente na busca de novidades, mas sim no trabalho equilibrado e consciente de resolução de problemas e melhorias contínuas no seu sistema de gestão da qualidade e nos seus produtos e serviços. Pelo exposto, não seria exagero afirmar que a competitividade e o crescimento de uma organização, setor ou até mesmo pessoal, estão direta e intrinsecamente ligados ao grau de comprometimento dessa organização, setor ou pessoa com uma abordagem inovadora.

Mauricio Ferraz de Paiva é diretor da Target - mauricio.paiva@target.com.br

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