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Mudança para a inovação: qual é o seu estilo?

Revista Banas Qualidade - 13/9/2010 - Edição de Aniversário: 20 anos

[Cristina Werkema]

Atualmente é consenso que não existe plano B para fazer uma empresa crescer – é inovar ou inovar. E, para inovar, é preciso mudar. Nas palavras de Peter Drucker, “inovação é uma mudança que cria uma nova dimensão de desempenho”. Ou seja, inovação não existe sem mudança. E o grau de sucesso de toda mudança depende das pessoas e suas reações.

Na figura 1 é apresentado o modelo REACT1, que pode ser usado para auxiliar na redução da reação de resistência à introdução de novas ideias. Essa resistência é algo esperado, dado que o ser humano prefere as situações confortáveis às quais já está acostumado. Na figura 2 são mostrados alguns exemplos do que poderia ter acontecido na História caso a resistência a novas ideias tivesse predominado.

Na figura 3 são mostradas as diferentes reações das pessoas diante das mudanças. O conhecimento dos temperamentos, conforme descrito a seguir, nos ajuda a entender essas diferenças.

Os temperamentos e a mudança

O temperamento é o padrão de necessidades, valores e comportamentos que fundamenta nosso modo de ser e agir no mundo e representa o que parece ser o nosso natural, ou seja, as inclinações inerentes que permanecem conosco por toda a vida, mesmo que desenvolvamos outros talentos, hábitos e atitudes. O temperamento apresenta quatro variações ou tipos, que podem ser entendidos como padrões latentes de personalidade. Um desses quatro temperamentos é aquele com o qual você nasceu. O seu ambiente pode desenvolvê-lo ou fortificá-lo. Na medida em que você se desenvolve, através do tempo, com todas as lições e os desafios da vida, você constrói nesse padrão.

O conceito de temperamento foi desenvolvido inicialmente pelos pensadores da Grécia Antiga, que observaram a existência de quatro padrões básicos de personalidade. David Keirsey2, um psicólogo da era atual, foi inspirado por esses pensadores e desenvolveu a teoria dos temperamentos que apresentamos aqui.

Existem algumas características-chave ou padrões em cada temperamento. Certas habilidades ou talentos inatos, são associados com os padrões de cada temperamento. Esses são os talentos e as habilidades que gostamos de usar mais. Note que o temperamento não nos prende num cubículo – ele simplesmente mostra o cubículo em que podemos estar encerrados e a saída que devemos tomar.

Qual a relação entre temperamento e mudança? Cada temperamento apresenta um estilo próprio para lidar com mudanças! O conhecimento dos temperamentos nos ajuda a entender as diferentes reações e necessidades das pessoas diante de um momento de mudança. Esse conhecimento também nos ajuda a identificar maneiras pelas quais as pessoas e empresas podem planejar como oferecer a cada indivíduo a melhor oportunidade para que ele possa obter aquilo que é necessário para que sua contribuição possa ser a mais criativa e energética possível nos processos de mudança organizacional.

Vale ressaltar que a tipologia segundo os temperamentos é somente uma das possíveis maneiras – embora muito rica e fascinante – para se entender as diferenças individuais. Há vários outros sistemas explicativos, por exemplo, o MBTI e o Eneagrama. E também sabemos que, se duas pessoas têm o mesmo temperamento, esse fato, é claro, não significa que elas sejam idênticas. Elas compartilham necessidades essenciais e mostram similaridades em seu comportamento, mas suas ações podem parecer bastante diferentes, dado que o molde do temperamento de cada uma delas será colorido por suas próprias experiências individuais. Somos todos indivíduos únicos. Mesmo gêmeos idênticos são únicos em seu próprio modo. Talvez o fato de que nenhuma teoria da personalidade se prove inteiramente adequada à tarefa de nos explicar, seja um testemunho da incrível complexidade dos seres humanos.

Na figura 4 é apresentado um questionário para que você possa identificar o seu temperamento e, consequentemente, descobrir qual é o seu estilo para lidar com mudanças. Responda o questionário e, a partir da pontuação obtida, verifique na figura 5 qual é o seu temperamento. Observe que para a denominação dos temperamentos, foi utilizada a metáfora criada por David Keirsey que consiste em selecionar um animal (mascote) para representar cada temperamento. David Keirsey
acredita que os padrões inatos de comportamento e preferências demonstrados por cada animal são representativos das características associadas com cada temperamento humano. Na figura 6 é apresentada uma descrição dos mascotes e na figura 7 é mostrado um resumo do comportamento de cada um dos temperamentos nas organizações. Você se identifica com o seu mascote?

Os temperamentos e o modelo REACT

Nas figuras 8 e 9 são apresentadas as diferenças entre os temperamentos nas etapas E e A do modelo REACT. A análise das figuras nos mostra o quanto é importante entender e reconhecer essas diferenças, já que as habilidades inatas de cada temperamento e suas necessidades psicológicas têm um importante papel na motivação das pessoas e em sua disposição de fazer algo fora de suas tendências naturais, fatores que são fundamentais para a mudança e a inovação.

Por que essas informações são úteis para a inovação?

O conhecimento dos temperamentos mostra as características, comportamentos, atitudes, motivações, dificuldades e facilidades inatas das pessoas, distribuídas em seus quatro grupos, deixando claro quais são os pontos fracos – que precisam ser mais bem conhecidos e minimizados – e também os pontos fortes a serem incrementados. Através desse conhecimento podem ser aprimorados os seguintes aspectos:
• Compreensão dos relacionamentos pessoais e profissionais.
• Mobilização da própria motivação e a da equipe.
• Desenvolvimento da criatividade e da flexibilidade.
• Comunicação mais efetiva com as pessoas.
• Detecção e gerenciamento do stress.
• Capacidade para trabalhar em equipe de modo mais eficiente.

E não há dúvidas de que os pontos acima são fundamentais para o sucesso das iniciativas de mudança que, conforme já vimos, são inseparáveis da inovação.

Referências
1. Nash, Suzan; Bolin, Courtney. Teamwork from the Inside Out Fieldbook
(Palo Alto: Davies-Black Publishing, 2003).
2. Keirsey, David. Please Understand Me II (Del Mar: Prometheus Nemesis
Book Company, 1998).
3. Barger, Nancy J.; Kirby, Linda K. Introduction to Type and Change
(Mountain View: CPP, Inc., 2004).
4. Hirsh, Sandra Krebs; Kummerow, Jean M. Introdução aos Tipos Psicológicos
nas Organizações. (São Paulo: Instrumentos de Desenvolvimento Humano).
5. Machado Jr., Pericles Pinheiro; Fellipelli, Adriana. Tipos Psicológicos e
Estilos de Comunicação. www.fellipelli.com.br.

Cristina Werkema é diretora do Grupo Werkema e autora das obras da Série Seis Sigma Criando a Cultura Seis Sigma, Design for Six Sigma: Ferramentas Básicas Usadas nas Etapas D e M do DMADV, Lean Seis Sigma: Introdução às Ferramentas do Lean Manufacturing, Avaliação de Sistemas de Medição e Perguntas e Respostas Sobre o Lean Seis Sigma, além de oito livros sobre estatística aplicada à gestão empresarial, área na qual atua há mais de quinze anos - cristina@werkemaconsultores.com.br

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