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Fraudes empresariais

Hayrton Rodrigues do Prado Filho


Os custos gerados pelas fraudes empresariais representam uma ameaça para a estabilidade financeira e imagem das empresas em diversos setores. Com o intuito de preservação de seu patrimônio, elas têm buscado meios mais eficazes para analisar esse risco e de prevenir, detectar e investigar esse problema. Assim, os processos de tratamento e análise, prevenção e detecção de fraudes tanto internas quanto externas, são necessários tanto para evitar, antecipar os riscos de fraudes ou constatar a sua existência em operações internas e/ou externas.

Os administradores devem implementar diversas medidas para reduzir o risco de ocorrência de fraudes: segregação de função; rodízio de profissionais, de cargos ou de funções; normas de procedimentos; realização de pesquisa sobre a vida profissional e os antecedentes criminais dos candidatos ao quadro de funcionários da empresa; auditoria interna para estabelecer procedimentos mínimos de controle capazes de identificar e coordenar serviços de inteligência a fim de coibir a prática de fraudes; elaboração de código de conduta profissional, abrangendo o que a empresa e os gestores entendem por comportamento ético e ainda canais para denúncias anônimas.

A alta direção tem a responsabilidade de implementar e manter os controles internos atualizados. Os auditores verificam se a organização estabeleceu objetivos realísticos, metas e código de conduta, nos quais devem constar as atividades não permitidas e as conseqüências oriundas da violação. O procedimento usado com mais freqüência na prevenção das fraudes é a auditoria operacional e o menos usado é a análise digital.

No mundo digital ficam muitos rastros que o mundo presencial não detecta. Não é possível apagar todas as evidências, sempre fica algum resíduo. Em caso de fraude na empresa, se o fraudador utilizou o computador para qualquer movimentação ou troca de informação, ainda que ele apague tudo, tudo é recuperável. Pode haver alguma dificuldade em mensagens criptografadas, porque os dados serão recuperados, mas nem sempre é possível decifrar o código criptográfico. Portanto, a prevenção dessa ocorrência se torna mais importante que a detecção.

Estudos feitos nos últimos anos no Brasil e no mundo revelam que o número de fraudes empresariais tem aumentado consideravelmente e a tendência é que esses casos continuem a se multiplicar no futuro. A falta de treinamento adequado e de profissionais especializados em prevenção, detecção e investigação de fraudes é um dos principais fatores para esse crescimento, segundo o coordenador didático e professor do curso de pós-graduação sobre fraudes empresariais da Fundação Instituto de Administração (FIA), Mário Sérgio Ribeiro.

Para o professor, o principal aspecto dessa questão consiste na falta adequada de controles internos e a implementação de processos e controles de combate à fraude. Entre esses processos, uma exclusiva Gestão de Riscos de Combate à Fraude. “Recente levantamento feito pela consultoria KPMG com mais de mil companhias revela que 64% das organizações estão preocupadas com seus controles internos de combate a fraude; e mais, 93% dos entrevistados identificam a melhoria dos controles internos como a principal medida para evitar atos fraudulentos e logo atrás, a terceira medida citada é o treinamento de funcionários, com 50% das indicações. É um dado que alerta para a falta de preparo para se lidar com isso. Em média, pode demorar dois anos para se detectar uma fraude, um tempo muito precioso e que pode gerar grandes perdas financeiras e operacionais para a empresa vitimada”, comenta.

“A maioria das grandes empresas está investindo em segurança da informação e ferramentas para prevenir, detectar e investigar as fraudes corporativas, em sua grande maioria, por colaboradores internos. Porém, é necessário que quem opera estes mecanismos seja profundo conhecedor dessas técnicas. Já para as pequenas e médias empresas o problema é ainda maior, pois muitas não possuem processos, controles e ferramenta de combate às fraudes. O profissional que dominar esses processos e controles será destaque no mercado”, complementa Ribeiro.

A detecção das fraudes é feita por meio dos controles internos e da auditoria interna. Isso, porém, não justifica a realização de auditorias exclusivamente em casos de suspeitas de fraudes. É o caso típico de tratar os sintomas, permanecendo ativos todos os elementos causadores dos prejuízos e que, cedo ou tarde, poderão se repetir.

As fraudes são erros intencionais, mas não são os únicos eventos indesejáveis e que podem comprometer os objetivos empresariais. Os erros fortuitos, por desconhecimento, imperícia (por falha na seleção ou treinamento inadequado ou insuficiente), falhas de equipamentos e/ou de sistemas são comuns e os prejuízos causados são importantes e comprometem o desempenho empresarial.

As compras de matérias-primas mal feitas, com fornecedores que não honram prazos e especificações de produtos; a falta de adequada política de análise e concessão de crédito a clientes; a existência de pagamentos indevidos, tudo isso são riscos dos negócios e podem gerar perdas para a organização, Atuando preventivamente e em consonância com os sistemas de controles internos, a auditoria interna torna possível ainda vislumbrar e alavancar as oportunidades de ganhos e melhorias nos processos, com otimização de resultados, redução de custos, alternativas de fornecimento e de novos mercados.

Uma empresa que tenha os seus processos adequadamente delineados, pessoal capacitado e treinado e que não seja surpreendida por eventos indesejáveis, pode concentrar esforços em suas atividades principais, em conquistar novos mercados, melhorar seus produtos e processos produtivos, e reduzir custos, alcançando maior nível de competitividade. O relacionamento com terceiros, clientes, fornecedores, instituições financeiras, governo acaba facilitado na medida em que a empresa é reconhecida pela excelência em sua gestão sistêmica.

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