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As estratégias para a competitividade

Revista Banas Qualidade - 13/9/2010 - Edição de Aniversário: 20 anos

[Ângela França Pedrinho]

No fim do século passado, diversos fatores que se vinham a manifestar há algum tempo assumiram uma importância primordial no desenvolvimento das organizações. Entre, eles destacam-se a globalização do mercado, a concorrência extremamente agressiva que se começou a registrar a todos os níveis e uma maior exigência por parte dos consumidores que passaram a valorizar a qualidade dos produtos, em detrimento da predominância do preço como fator decisivo para a decisão de compra.

Como consequência, as organizações viram-se compelidas a adotar estratégias competitivas que lhes permitissem adquirir uma grande flexibilidade e rapidez de resposta às solicitações emergentes. Entre tais estratégias, destaca-se a Gestão pela Qualidade Total (GQT) e a Inovação. O conceito de Inovação esteve, durante muito tempo, associado apenas ao desenvolvimento tecnológico.

Contudo, e tal como aconteceu com a Qualidade, também esse conceito tem evoluído ao longo do tempo, falando-se atualmente da Inovação em nível de estratégia, de processos operacionais e de gestão. Uma das tendências que se começam a delinear é a associação entre os conceitos de Qualidade e de Inovação, o qual não parece estar ainda suficientemente explorado.

Apesar de se verificar que começa a haver uma convergência entre os dois conceitos, sendo cada vez mais difícil imaginar a Qualidade sem Inovação e a Inovação sem Qualidade, constata-se que tal ligação é ainda bastante incipiente. Considerando que a Inovação é realmente estratégica, interessará cada vez mais aprofundar as sinergias entre este e outros conceitos e estilos de gestão, como a GQT, de forma a aumentar a capacidade competitiva das organizações, independentemente da sua localização, dimensão ou setor.

A competitividade das organizações depende cada vez mais da sua capacidade de Inovação, quer em relação aos aspectos tecnológicos quer no que respeita à rapidez de decisão e flexibilidade de adaptação às constantes mutações das expectativas e necessidades dos clientes. Atualmente conseguir desenvolver ações que aumentem a competitividade é a chave para sobrevivência no mercado.

O cenário das organizações hoje é de diminuição progressiva das margens de lucros e grande pressão de empresas estrangeiras. Na sociedade do conhecimento e no cenário globalizado do século XXI não é mais novidade que, para participar da economia mundial de uma forma cada vez mais digna e menos dependente, o aumento da competitividade das organizações é fator fundamental.

Entretanto, a revolução científico-tecnológica do século XX levou o desafio da competitividade para além da redução de custos e do aumento da qualidade, impondo às organizações a necessidade permanente de inovar. Estudos realizados por diversas instituições internacionais têm comprovado e destacado o papel da inovação como fator de competitividade.

Inovar em produtos e serviços, inovar em processos, inovar em tecnologias de gestão e em modelos de negócios é a palavra de ordem para estabelecer diferencial competitivo que permita enfrentar o avanço da concorrência nos mercados nacional e internacional. Investimento em inovação de produto pode melhorar a competitividade das empresas sendo uma ferramenta estratégica para alcançar vantagens competitivas.
Inovar é ousar!

Fazer algo que os concorrentes não estão fazendo e que o seu consumidor perceberá como valor agregado e que realmente fará a diferença no difícil mercado acirrado. A inovação é resultado de uma cultura específica, desenvolvida em ambientes favoráveis para tanto, e resultado da atividade de profissionais inovadores.

Ao pesquisar, criar e aperfeiçoar produtos inovadores, as empresas desenvolvem uma vantagem competitiva sobre outras de mesmo nicho de mercado. Parece, portanto, pertinente procurar aprofundar os aspectos comuns e ultrapassar as limitações que algumas normas e procedimentos da Qualidade podem colocar à atividade criativa.

Nesta perspectiva, tem de haver o discernimento necessário por parte dos gestores da Qualidade e demais colaboradores de forma a encarar tais procedimentos como conceitos válidos num determinado contexto e não como normas rígidas e imutáveis que não admitam qualquer interferência com caráter criativo. Face aos fatores que influenciaram definitivamente a postura assumida pelas organizações que pretendiam tornarem-se competitivas, a Qualidade começou, principalmente a partir da década de oitenta, a assumir um caráter transversal, abrangendo tudo e todos dentro da organização e pautando-se por valores como a satisfação do cliente, a prevenção da ocorrência de problemas e a melhoria contínua do desempenho. Esta abordagem começou a transformar-se numa forma de gerir as organizações.

Embora de forma gradual, a GQT tem vindo a impor-se, em vários países e setores econômicos, como uma abordagem capaz de garantir a melhoria do desempenho das organizações, com repercussões significativas no aumento da produtividade e da competitividade. Nesta perspectiva, torna-se claro que a GQT é associada apenas ao conceito de melhoria contínua, enquanto a Inovação apresenta uma forma mais radical e descontínua.

Efetivamente, na ótica de uma cultura GQT, a organização é constituída por uma rede de processos que devem ser continuamente melhorados de forma a aumentar o valor acrescentado para todas as partes interessadas. Esta perspectiva proporciona muitas oportunidades de inovação quer a nível tecnológico quer a nível organizacional.

As organizações que adotaram a GQT têm tido mais facilidade em inovar produtos, processos e sistemas de gestão. As organizações que têm obtido mais vantagens competitivas têm realmente apostado em atividades inovadoras, designadamente na introdução de novos produtos em novos segmentos de mercado e na modificação de produtos existentes.

Demonstrou-se que se torna realmente desejável a existência de uma simbiose entre a GQT e a Inovação, por forma a dotar as organizações de vantagens competitivas sustentáveis, essenciais para a sua sobrevivência num mercado cada vez mais global e exigente. Com efeito, várias das dimensões da GQT, como a focalização no cliente, a formação, o trabalho em equipe, a autonomia, a responsabilização dos colaboradores, a gestão por processos, as parcerias e as técnicas, podem contribuir para que as organizações desenvolvam as suas atividades de forma realmente inovadoras.

No entanto, para que tal seja possível, é necessário que os conceitos da GQT sejam percebidos por todos os colaboradores e, em particular, pelos gestores de topo. A sua gestão adequada estimula o desenvolvimento de atividades cada vez mais criativas, designadamente as relacionadas com a Qualidade, o que permitirá, certamente, a obtenção de níveis cada vez mais elevados de competitividade.

Ângela França Pedrinho é diretora técnica da A&G Tecnologia Comunicação - donduck@ig.com.br

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