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A interface entre a inovação e a qualidade

Revista Banas Qualidade - 13/9/2010 - Edição de Aniversário: 20 anos

[Marcelo Demétrio Haick]

Ao avaliarmos um assunto para reflexão, sempre procuro iniciar minha ponderação com um entendimento dos objetivos propostos e em especial do intrínseco e forte significado das palavras descritas na proposição apresentada. Neste sentido, recorrendo ao bom e velho Aurélio, chegamos a algumas definições etimológicas:

A Qualidade vem a ser, uma “maneira de ser, boa ou má, de uma coisa”, “superioridade, excelência em qualquer coisa”, “aptidão, disposição favorável”, “condição social, civil, jurídica, etc.” dentre tantos outros exemplos. A Inovação vem a ser, uma “ação ou efeito de inovar” ou uma “renovação”. A Estratégia vem a ser, uma “arte de planejar operações de guerra”, “arte de dirigir um conjunto de disposições”, “habilidade, astúcia, esperteza”, “ardil, manha, estratagema”. A Competitividade vem a ser, “suscetível de suportar a concorrência de outros”.

Nossa abordagem deverá demonstrar a existência ou não de uma interface entre qualidade e inovação e como de modo pratico esta sinergia pode servir como uma plataforma para a competitividade. De acordo com a escola de Robert Norton e David Kaplan, a estratégia vem a ser traduzida em quatro perspectivas, que numa relação de causa e efeito, pode se desdobrar em um objetivo maior da organização, denominado atualmente como sustentabilidade do negócio.

Estas perspectivas são denominadas como a perspectiva financeira e do cliente entendidas como efeito e as perspectivas internas e de aprendizado e crescimento entendidas como as causas do referido processo. Portanto, a competitividade deve ser entendida como um pilar da sustentabilidade (efeito) e para tal deveremos desenvolver uma interface e uma sinergia consistente entre a qualidade e a inovação.

Porém, a qualidade vem a ser um conceito vinculado a melhoria continuada de processos (perspectiva interna) e a inovação uma condição inerente ao fator humano (perspectivas de aprendizado e crescimento). Na prática, percebemos que os sintomas de um sistema de gestão da qualidade vulnerável vêm a ser percebidos pela significância e recorrência de problemas sistêmicos.

Os problemas recorrentes são consequentes a uma relação de causa e efeito em função de uma lógica temporal. A recorrência deriva da proposta de soluções não eficazes, sendo que nossa experiência observou alguns elementos que justificam o insucesso das práticas atuais, tais como: definição incompleta do problema, categorização, analise parada muito cedo, necessidade de definir um culpado, falha em envolver as partes interessadas, baseado em experiências passadas e acreditar na realidade única.

Neste sentido, nossa abordagem entende que as organizações somente desenvolverão estratégias de sucesso na busca da inovação se implementar ações mensuráveis para a eliminação dos problemas recorrentes. A sociedade necessita de organizações que melhorem suas habilidades em solucionar problemas recorrentes.

Com este objetivo, nossa proposta visa que de um lado possamos mudar nosso modelo mental, migrando do pensamento baseado em regras (procedimentos, legislações e convenções) para o pensamento causal baseado na combinação de múltiplas causas. Neste sentido, as soluções efetivas estão inseridas em uma relação causal conhecida, desenhada a partir da elaboração de um diagrama de causa e efeito.

O time de análise de soluções ou de investigação deve desenvolver uma dinâmica colaborativa e que venha a ser entendida como uma prática de aprendizado, se levando em conta a diversidade, o conhecimento coletivo na direção da realidade comum. Ao nosso entender, a inovação depende de engajamento, conhecimento técnico e criatividade das pessoas envolvidas nas avaliações em função do levantamento de um numero significativo de causas delineado no diagrama de causa e efeito.

Portanto, poderemos apenas demonstrar que os sistemas de qualidade são favoráveis, quando a incidência de problemas recorrentes for controlada. Nossa metodologia para elaboração do diagrama de causa e efeito vem a ser uma plataforma consagrada na melhoria dos processos e na implantação de soluções eficazes derivada da inovação, como um fruto da criatividade inerente ao fator humano.

Marcelo Demétrio Haick é diretor da Apollo South America - Marcelo.haick@apollorca.com

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